2026-04-19 Consulta: Costal — Implantação ERP Sienge, Estratégia de IA e Mapeamento de Processos

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Data e Hora: 2026-04-17 ~09:00 Localização: On-Line (Zoom) Entrevistador: Marcos Eduardo (Anouk) Entrevistados: Igor Reginato (Diretor Costal/Colliers), Rafael Rossetto (PM On-site Anouk) Duração: ~53 minutos Formato: Reunião de alinhamento estratégico Empresa: Costal (spin-off da Colliers)


Visão Geral

A Costal é uma construtora greenfield criada como spin-off digital da Colliers, com a ambição de nascer 100% estruturada em processos e tecnologia — o que seu diretor, Igor Reginato, descreve como “quase inédito” no setor de construção civil brasileiro. Esta reunião marca o primeiro contato estratégico entre Igor e Marcos Eduardo (Anouk), com o objetivo de alinhar o escopo da parceria, compreender o estágio atual da implantação do ERP Sienge e mapear os processos operacionais da construtora como base para a implementação de agentes de IA. O projeto parte de um pressuposto central — processo antes de ferramenta — e tem como norte transformar a Costal num modelo de eficiência operacional em um setor historicamente manual e fragmentado, onde o overhead médio de mercado entre 10% e 12% sobre um mercado trilionário representa uma oportunidade de escala sem precedentes. A implantação do Sienge, contratada após 5 meses de negociação, está tecnicamente iniciada mas operacionalmente parada aguardando o apoio Anouk. A arquitetura de sistemas proposta posiciona o Sienge como coluna vertebral, o Microsoft 365 como plataforma de fluxos e ECM, e a IA como uma camada horizontal transversal — não um sistema independente.


Contexto e Histórico

A Colliers, empresa-mãe da Costal, operava até recentemente sem ERP — apenas com o Microsoft Dynamics para emissão de nota fiscal relacionada à operação canadense. Igor Reginato chegou à Colliers há cerca de 18 meses e passou o primeiro ano internamente brigando pela aprovação de um ERP. A escolha pelo Sienge (SaaS especializado em construção civil) se deu pela rejeição ao SAP — tecnicamente superior mas com custo e prazo de implantação considerados inviáveis — e pelo melhor custo-benefício de mercado para o segmento. Uma limitação histórica do Sienge (impossibilidade de apontar o Power BI diretamente ao banco de dados) foi resolvida nas versões recentes, removendo um obstáculo importante à adoção. O contrato foi assinado após 5 meses, um kickoff realizado, e a implantação está pausada. Igor não tem uma pessoa dedicada internamente para liderar a implantação, e é exatamente esse o gap que o time Anouk/Marcos está sendo convocado a preencher. No plano de CRM, a situação é igualmente provisória: o RD Station (R$ 5.000/mês para toda a Colliers) não entrega métricas de conversão ou custo de aquisição, e Igor está usando o Microsoft Lists como substituto temporário, com mais flexibilidade de campos mas sem a robustez de um CRM dedicado.


Pontos Problemáticos

A reunião revelou problemas de natureza sistêmica em pelo menos quatro áreas críticas da operação.

  1. Orçamentação: margem de sucesso mínima e processo altamente manual. A orçamentação é descrita por Igor como “o trabalho mais difícil da empresa” — e a afirmação é técnica: orçar alto demais perde o contrato; orçar abaixo gera prejuízo inevitável. O problema principal não é o custo unitário, mas o levantamento e mapeamento de requisitos — análise de projetos, memorials descritivos que exigem 5 engenheiros e 3 técnicos de segurança, estimativa de duração do projeto para dimensionar indiretos e equalização de propostas de fornecedores para itens especiais. Esse conjunto consome 99% do tempo. A validação paramétrica cruzando o orçamento com dados históricos é outro ponto crítico onde Igor já identificou erros reais. Adicionalmente, o processo de aprovação interna é informal: passa pelo Projuris apenas para geração de número de controle e é gerenciado via prints de planilha no Microsoft Lists — sem fluxo formal de aprovação.

  2. Gestão de mudanças (change orders): perda recorrente de margem. Igor cita obra do Nubank de R$ 30 milhões com mais de 200 change orders como caso ilustrativo. Clientes aceitam alterações de escopo com naturalidade, mas não percebem os impactos indiretos: um pedido de 50 m² extra de carpete gera nova importação, frete e equipe em campo por mais uma semana — e o custo unitário pode triplicar. Engenheiros de campo frequentemente aceitam alterações sem calcular todos os impactos. “Aqui as empresas normalmente se perdem na construção civil” — e obras em média duram o dobro do previsto por acumulação desses desvios.

  3. Lições aprendidas: conhecimento crítico que não é retido. Igor tem 20 anos de experiência em gestão de projetos e nunca viu uma empresa resolver isso de forma sistemática. Detalhes que representam perda real de margem — como os R$ 5.000 de cinto de segurança obrigatórios para trabalho acima de 20 cm em cliente específico, ou as 2 semanas de integração para trocar uma lâmpada na Vale — residem na cabeça de orçamentistas que mudam de empresa. A GM registrava lições aprendidas mas não conseguia resgatá-las — “era pior do que não ter registrado.” Igor não encontrou processo, ferramenta ou incentivo que funcionasse. Sua aposta explícita é que agentes de IA serão suficientemente disciplinados para institucionalizar esse conhecimento.

  4. Fragmentação de sistemas e ausência de integração. O ecossistema atual mistura Sienge (ERP em implantação), RD Station (CRM sem métricas), Microsoft Lists (funil de vendas improvivado), Projuris (sistema jurídico), Microsoft 365 (ECM e comunicação) e planilhas Excel como repositório real de orçamentos. Não há integração entre esses sistemas, o que gera retrabalho de conversão, propensão a erros e impossibilidade de visão unificada do pipeline comercial ao faturamento — que é exatamente o que Igor definiu como o papel central de um ERP.


Expectativas

  • Apoio à implantação do Sienge: Igor espera que o time Anouk atue como braço operacional na implantação (project management e configuração), dado que não tem pessoa interna dedicada. O Sienge é a prioridade absoluta — nada será construído em paralelo antes de sua implantação estar definida.

  • Processo antes de ferramenta: Marcos e Igor convergem que o primeiro entregável do trabalho conjunto deve ser a compreensão e validação dos processos mapeados por Igor — não a escolha de tecnologias. O blueprint do Sienge deve ser consumido e validado antes de qualquer customização ou automação.

  • Identificação cirúrgica de pontos de dor: Marcos propõe uma abordagem pragmática: identificar os pontos de maior risco e dor dentro dos processos (especialmente orçamentação e gestão de mudanças) e automatizá-los primeiro, sem tentar automatizar o processo inteiro de uma vez.

  • IA integrada ao ecossistema existente: Igor não quer criar uma plataforma nova. Quer agentes que atuem dentro do Sienge e do Microsoft 365. Marcos confirma: “eu imagino a gente criando esses robôs para trabalhar dentro do ambiente que você definiu.”

  • Retenção de lições aprendidas via IA: Igor espera que agentes de IA consigam institucionalizar o conhecimento tácito dos orçamentistas — alertas de risco automáticos, cruzamento de especificações técnicas com notas fiscais, validação paramétrica de orçamentos.

  • Visibilidade financeira de ponta a ponta: Do comercial ao faturamento, Igor quer rastreabilidade completa via Sienge — algo que hoje não existe por ausência de ERP integrado.


Outras Informações Relevantes

  • O Sienge não é adequado como CRM — a consultoria confirmou que o módulo próprio não é usado no mercado. A solução CRM ainda está em aberto (RD Station provisório, Microsoft Lists como tentativa, avaliação de nova ferramenta com integração Outlook).
  • A Microsoft é a plataforma de trabalho consolidada (Teams, Lists, SharePoint, Outlook, Power Automate). Igor considera troca para Google ou Slack inviável para pessoa jurídica, mas está aberto a ferramentas complementares.
  • Igor mapeou correlações entre agentes de IA por função — o agente de prospecção, por exemplo, também alimenta o orçamentista com dados relevantes. Isso sugere uma arquitetura de agentes interdependentes, não silos.
  • O processo de encerramento de obra (data-book, as-built, desmobilização) é identificado como crítico para retroalimentar o processo de orçamentação — mas hoje não existe mecanismo formal de captura e reuso dessas informações.
  • A próxima reunião estratégica envolve Pedro Villa e Blaschke (Anouk) para devolutiva de arquitetura — indicando que há decisões de infraestrutura de dados pendentes de alinhamento técnico.

Lista de Tarefas Consolidadas

  • Igor enviar material completo de processos e organograma para Marcos e Rafael (prioridade imediata — implantação do Sienge está parada).
  • Marcos estudar o material e mapear o que está coberto pelo Sienge vs. o que não está — antes da reunião com Blaschke.
  • Agendar reunião com Pedro Villa e Blaschke para devolutiva de arquitetura de dados.
  • Definir com o time Anouk o nível de apoio à implantação do Sienge (PM dedicado vs. apoio pontual).
  • Mapear os pontos de dor e risco no processo de orçamentação para priorização dos primeiros agentes de IA.
  • Formalizar o fluxo de aprovação de orçamentos via Power Automate (gerente construção → gerente orçamentos → Igor).
  • Avaliar e definir a solução CRM definitiva (RD Station, Microsoft Lists ou alternativa com integração Outlook).
  • Validar a arquitetura Sienge + Microsoft 365 + IA como camada horizontal com Blaschke.

Documentos de Referência

Material enviado por Igor Reginato e extraído em 17/04/2026 — base para o trabalho conjunto discutido nesta reunião.


Documento elaborado por: Rafael Rossetto