Visão Integrada do ERP Sienge | Módulos, Processos e Dados

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Documento elaborado por José Roberto Blaschek (Anouk Partners). Original: .docx (com 4 figuras: Modelo Conceitual de Dados, Fluxo Processo→Módulo→Dado, Ecossistema Conceitual, Visão Tecnológica). Esta é a transcrição fiel para markdown preservando estrutura e texto. As figuras originais permanecem no .docx.


Introdução

O presente documento estabelece um referencial estruturado do ERP Sienge, com o objetivo de consolidar, em uma única visão integrada, os principais elementos funcionais, processuais e informacionais que sustentam sua operação no contexto da construção civil.

Diferentemente de uma descrição meramente técnica ou operacional, este material adota uma abordagem orientada à arquitetura de negócio e à governança da informação, estruturando de forma clara e consistente:

  • os módulos nativos do sistema e seus respectivos propósitos
  • os processos de negócio suportados ao longo do ciclo de vida dos empreendimentos
  • os principais fluxos de dados entre áreas e funções organizacionais
  • o modelo conceitual de dados, com definição de entidades e relações
  • e as diretrizes de padronização de nomenclatura, visando consistência e rastreabilidade

O ERP Sienge é tratado neste documento como um sistema estruturante, responsável por suportar de forma integrada as operações da construtora, abrangendo desde a comercialização de unidades até a execução das obras, passando pelo planejamento, suprimentos, controle financeiro, contábil, gestão de pessoas e administração de ativos.

A abordagem adotada considera duas perspectivas complementares e indissociáveis:

  • Visão estrutural, que organiza e define os principais dados e entidades do negócio
  • Visão dinâmica, que evidencia como os processos são executados nos módulos do sistema e como os dados são gerados, transformados e reutilizados ao longo da operação

Importante: o escopo deste material está restrito ao funcionamento interno do ERP, não contemplando, neste momento, a definição de integrações com sistemas externos, as quais deverão ser tratadas em artefatos específicos de arquitetura.


1. Descrição Técnica dos Módulos Nativos

O ERP Sienge ERP é uma solução integrada especializada no setor da construção civil, estruturada em módulos que suportam todo o ciclo de vida do empreendimento, desde a fase comercial até a conclusão e pós-obra.


2. Estrutura Funcional do ERP

O ERP está organizado em módulos interdependentes que suportam o fluxo operacional típico da construção civil:

Comercial → Orçamento → Planejamento → Suprimentos → Execução → Financeiro → Contábil → RH → Patrimônio

3. Módulos do ERP

3.1 Módulo Comercial / Incorporação

Propósito: Gerenciar o processo de comercialização de empreendimentos imobiliários, desde o cadastro até a formalização de contratos e controle de recebíveis.

Funcionalidades:

  • Cadastro de empreendimentos e unidades
  • Gestão de clientes
  • Controle de vendas e contratos
  • Simulação de financiamento
  • Definição de tabelas de preços
  • Gestão de distratos

Entradas: dados cadastrais de clientes, informações de empreendimentos, tabelas de preços, condições comerciais, parâmetros de financiamento.

Saídas: contratos de venda, fluxo financeiro projetado por contrato, contas a receber, relatórios comerciais.

3.2 Módulo de Orçamento de Obras

Propósito: Estruturar e calcular o custo previsto das obras, servindo como base para planejamento e controle.

Funcionalidades:

  • Estruturação da EAP (Estrutura Analítica do Projeto)
  • Composição de custos unitários
  • Definição de insumos e serviços
  • Simulação de cenários de custo
  • Utilização de referências de mercado (ex: SINAPI)

Entradas: projetos de engenharia, lista de serviços (EAP), custos unitários, índices de mercado.

Saídas: orçamento detalhado, curva de custo (CAPEX), estrutura de custos por atividade, base para planejamento físico-financeiro.

3.3 Módulo de Planejamento e Controle de Obras

Propósito: Planejar a execução da obra e monitorar o desempenho físico e financeiro ao longo do tempo.

Funcionalidades:

  • Elaboração de cronogramas (Gantt)
  • Planejamento físico-financeiro
  • Curva S
  • Medição de avanço físico
  • Controle de produtividade

Entradas: orçamento aprovado, sequenciamento de atividades, recursos disponíveis, premissas operacionais.

Saídas: cronograma da obra, projeções de desembolso, indicadores de desempenho (prazo e custo), relatórios de acompanhamento.

3.4 Módulo de Suprimentos (Compras e Estoque)

Propósito: Gerenciar o processo de aquisição de insumos e o controle de estoque necessário à execução das obras.

Funcionalidades:

  • Requisições de compra
  • Processos de cotação
  • Seleção de fornecedores
  • Emissão de pedidos de compra
  • Gestão de contratos de fornecimento
  • Controle de estoque e almoxarifado

Entradas: necessidades de materiais e serviços, cadastro de fornecedores, políticas de compras, itens de orçamento.

Saídas: pedidos de compra, contratos com fornecedores, movimentações de estoque, registros de consumo.

3.5 Módulo de Execução de Obras

Propósito: Registrar a execução real da obra, permitindo o controle de custos, produtividade e desempenho operacional.

Funcionalidades:

  • Registro de medições
  • Controle de custos realizados
  • Apropriação de mão de obra e equipamentos
  • Diário de obra
  • Gestão de serviços executados

Entradas: dados de produção diária, insumos consumidos, horas trabalhadas, informações de avanço físico.

Saídas: custos realizados, indicadores de produtividade, desvios em relação ao orçamento, relatórios de execução.

3.6 Módulo Financeiro

Propósito: Controlar os fluxos financeiros da organização, incluindo pagamentos, recebimentos e gestão de caixa.

Funcionalidades:

  • Contas a pagar
  • Contas a receber
  • Fluxo de caixa
  • Conciliação bancária
  • Gestão de inadimplência

Entradas: dados de vendas, obrigações financeiras, movimentações operacionais, contratos financeiros.

Saídas: fluxo de caixa realizado e projetado, relatórios financeiros, indicadores de liquidez, posição de contas a pagar e a receber.

3.7 Módulo Contábil e Fiscal

Propósito: Registrar os eventos econômicos e garantir conformidade contábil e fiscal.

Funcionalidades:

  • Escrituração contábil
  • Apuração de impostos
  • Geração de demonstrações financeiras
  • Controle de obrigações fiscais

Entradas: movimentações financeiras, notas fiscais, eventos contábeis.

Saídas: balanço patrimonial, DRE, obrigações fiscais, arquivos legais (ex: SPED).

3.8 Módulo de Recursos Humanos

Propósito: Gerenciar a força de trabalho da organização, incluindo folha, benefícios e controle operacional de equipes.

Funcionalidades:

  • Folha de pagamento
  • Gestão de benefícios
  • Controle de ponto
  • Administração de contratos de trabalho
  • Gestão de equipes de obra

Entradas: cadastro de colaboradores, jornadas de trabalho, informações contratuais, dados de frequência.

Saídas: folha de pagamento, encargos trabalhistas, custos de mão de obra, relatórios de pessoal.

3.9 Módulo de Patrimônio (Ativos)

Propósito: Controlar os ativos da empresa, incluindo equipamentos e bens utilizados nas obras.

Funcionalidades:

  • Registro de ativos
  • Controle de movimentação
  • Cálculo de depreciação
  • Gestão de alocação de equipamentos

Entradas: aquisição de bens, dados financeiros, informações de uso.

Saídas: controle patrimonial, depreciação acumulada, relatórios de ativos, custos indiretos associados.


4. Considerações Finais (módulos)

Os módulos compõem o núcleo funcional do ERP, permitindo:

  • controle completo do ciclo de vida das obras
  • rastreabilidade de custos e execução
  • suporte à tomada de decisão operacional e gerencial

5. Padronização de Nomenclatura de Dados

5.1 Objetivo

Estabelecer um padrão único de nomenclatura e entendimento dos principais dados utilizados no ERP Sienge ERP, garantindo consistência entre módulos, clareza na comunicação entre áreas, base para evolução da arquitetura de dados e suporte a análises gerenciais.

5.2 Princípios de Padronização

  • Unicidade — cada conceito de negócio deve possuir um único nome oficial
  • Clareza de Negócio — os nomes devem refletir o significado do negócio, evitando termos técnicos ou ambíguos
  • Consistência — o mesmo termo deve ser utilizado em todos os módulos do sistema
  • Rastreabilidade — os dados devem permitir o rastreamento entre origem, processamento e resultado

5.3 Entidades de Negócio (Modelo Conceitual)

Entidades Comerciais

EntidadeDefiniçãoPrincipais Atributos
ClientePessoa física ou jurídica que adquire unidadesID Cliente, Nome, CPF/CNPJ, Tipo
EmpreendimentoConjunto imobiliário desenvolvido pela empresaID Empreendimento, Nome, Localização
UnidadeUnidade comercializável do empreendimentoID Unidade, Tipo, Área, Valor
ContratoInstrumento formal de vendaID Contrato, Data, Valor, Status

Entidades de Engenharia e Obras

EntidadeDefiniçãoPrincipais Atributos
ObraExecução física do empreendimentoID Obra, Nome, Data Início, Data Fim
OrçamentoEstrutura de custos prevista da obraID Orçamento, Versão, Valor Total
AtividadeElemento da EAP (estrutura da obra)ID Atividade, Descrição, Sequência
MediçãoRegistro de avanço físico ou financeiroID Medição, Data, Percentual, Valor

Entidades de Suprimentos

EntidadeDefiniçãoPrincipais Atributos
FornecedorEmpresa que fornece materiais ou serviçosID Fornecedor, Nome, CNPJ
InsumoMaterial, serviço ou recurso utilizadoID Insumo, Descrição, Unidade
Pedido de CompraSolicitação formal de aquisiçãoID Pedido, Data, Valor
EstoqueRegistro de materiais disponíveisID Item, Quantidade, Local

Entidades Financeiras

EntidadeDefiniçãoPrincipais Atributos
Conta a ReceberValores a serem recebidosID Título, Cliente, Valor, Vencimento
Conta a PagarObrigações financeirasID Título, Fornecedor, Valor, Vencimento
Fluxo de CaixaMovimentação financeira consolidadaData, Entradas, Saídas
Evento FinanceiroRegistro de transaçãoTipo, Valor, Data

Entidades de Recursos Humanos

EntidadeDefiniçãoPrincipais Atributos
ColaboradorPessoa vinculada à empresaID, Nome, Cargo
JornadaRegistro de trabalhoData, Horas Trabalhadas
Folha de PagamentoConsolidação de remuneraçãoPeríodo, Valor, Encargos

Entidades Patrimoniais

EntidadeDefiniçãoPrincipais Atributos
AtivoBem físico da empresaID Ativo, Descrição, Valor
DepreciaçãoRedução de valor do ativoValor, Período
Movimentação de AtivoTransferência ou usoData, Local

5.4 Relações Conceituais (Visão Integrada)

  • Cliente → possui → Contrato
  • Contrato → refere-se → Unidade
  • Empreendimento → origina → Obra
  • Obra → possui → Orçamento
  • Orçamento → estrutura → Atividades
  • Atividades → geram → Medições
  • Medições → impactam → Custos
  • Fornecedor → fornece → Insumos
  • Insumos → são utilizados → na Obra
  • Eventos financeiros → alimentam → Fluxo de Caixa

5.5 Diretrizes de Uso

  • Utilizar sempre os nomes definidos neste documento
  • Evitar criação de sinônimos
  • Documentar qualquer nova entidade antes de uso
  • Manter alinhamento entre áreas de negócio

5.6 Benefícios Esperados

  • padronização do entendimento entre equipes
  • melhoria na qualidade dos dados
  • base para modelagem de dados estruturada
  • suporte à tomada de decisão
  • preparação para evolução da arquitetura de dados

6. Modelo Integrado de Dados e Processos do ERP Sienge

6.1 Introdução

Este capítulo apresenta uma visão integrada dos principais dados e processos suportados pelo ERP Sienge, com o objetivo de estabelecer um entendimento unificado entre as áreas de negócio e tecnologia.

A abordagem combina duas perspectivas complementares:

  • visão estrutural dos dados
  • visão dinâmica da execução dos processos

6.2 Visão Estrutural dos Dados

Figura 1 — Modelo Conceitual de Dados do ERP Sienge (Visão Executiva Integrada). Ver figura no .docx original.

Estrutura do Modelo

O modelo está organizado em domínios funcionais:

  • Comercial
  • Engenharia / Obras
  • Suprimentos
  • Financeiro
  • Recursos Humanos
  • Patrimônio

Principais Entidades e Relações

  • Cliente, Contrato e Unidade (domínio comercial)
  • Empreendimento, Obra, Orçamento, Atividade e Medição (engenharia e execução)
  • Fornecedor, Insumo, Pedido de Compra e Estoque (suprimentos)
  • Conta a Pagar, Conta a Receber, Evento Financeiro e Fluxo de Caixa (financeiro)
  • Colaborador, Jornada e Folha de Pagamento (recursos humanos)
  • Ativo, Movimentação e Depreciação (patrimônio)

6.3 Visão Dinâmica dos Processos e Dados

Figura 2 — Fluxo Conceitual: Processos de Negócio → Módulos do ERP → Dados Gerenciados. Ver figura no .docx original.

A figura está organizada em três camadas principais:

  • Processos de Negócio — atividades operacionais (comercialização, orçamento, suprimentos, execução, financeira, contábil, RH, ativos)
  • Módulos do ERP — componentes do sistema responsáveis pela execução
  • Dados Gerenciados — principais conjuntos de dados criados e utilizados

Fluxo de Informação

Processos de Negócio → Módulos do ERP → Dados
  • os processos de negócio são a origem das operações
  • os módulos do ERP executam essas operações
  • os dados são gerados, atualizados e consumidos como resultado
  • os dados passam a ser reutilizados por outros processos, criando um ciclo contínuo de informação

6.4 Integração entre as Visões

  • A Figura 1 apresenta a estrutura dos dados
  • A Figura 2 apresenta o fluxo de geração e uso desses dados

7. Mapa de Ecossistema de Sistemas da Construtora (Arquitetura Alvo)

7.1 Introdução

Este capítulo apresenta o Mapa de Ecossistema de Sistemas da Construtora, com foco na arquitetura alvo (TO-BE) a ser adotada para suportar a operação do negócio de forma integrada, escalável e orientada a dados.

Considera:

  • a centralidade do ERP como sistema estruturante
  • a especialização dos sistemas por domínio de negócio
  • a integração orientada a serviços e eventos
  • a separação entre sistemas operacionais e analíticos

7.2 Conceito de Sistema Estruturante

No contexto da arquitetura proposta, o ERP Sienge é definido como o sistema estruturante central, responsável por sustentar os principais processos operacionais da construtora.

Esse posicionamento decorre de sua capacidade de:

  • concentrar os processos críticos do negócio (obras, suprimentos, financeiro, contábil, etc.)
  • organizar os dados transacionais centrais
  • garantir rastreabilidade operacional e financeira
  • servir como base para integração com sistemas complementares

O ERP constitui o núcleo transacional da organização, ao redor do qual se organiza todo o ecossistema de sistemas.

7.3 Visão Conceitual do Ecossistema

Figura 3 — Modelo Conceitual do Ecossistema de Sistemas (Sienge como Núcleo). Ver figura no .docx original.

Os sistemas são classificados em categorias:

1. Núcleo Operacional

  • ERP Sienge — execução dos processos principais

2. Sistemas de Entrada (Upstream)

  • CRM
  • Portais de clientes / vendas
  • Sistemas de engenharia (projetos, BIM)
  • Ferramentas de captura de dados

3. Sistemas de Apoio Operacional

  • aplicativos de campo
  • sistemas de medição
  • ferramentas de produtividade
  • controle de equipamentos

4. Sistemas Analíticos (Downstream)

  • BI e dashboards
  • Data Lake / Data Warehouse
  • ferramentas analíticas
  • modelos de IA

5. Sistemas Corporativos Complementares

  • sistemas financeiros externos
  • sistemas fiscais
  • gestão documental
  • RH especializado

7.4 Interpretação da Visão Conceitual

A Figura 3 estabelece uma organização lógica baseada no fluxo:

entrada → processamento → análise

Princípio: cada sistema deve cumprir um papel específico, evitando replicação de lógica de negócio.

7.5 Visão Tecnológica e de Integração

Figura 4 — Mapa de Ecossistema de Sistemas da Construtora (Visão Tecnológica Planejada). Ver figura no .docx original.

Atenção: os sistemas representados constituem referências arquiteturais planejadas, não implicando, necessariamente, contratação ou adoção imediata.

A figura evidencia:

  • a distribuição dos sistemas por domínios de negócio
  • os mecanismos de integração entre sistemas
  • a separação entre processamento operacional e analítico
  • a interação com sistemas externos institucionais

7.6 Camadas Arquiteturais

Camada de Sistemas de Negócio — sistemas especializados por domínio (comercial, obras, suprimentos, financeiro, pessoas, análise).

Camada de Integração — comunicação entre sistemas via APIs (REST / serviços), eventos (tempo real) e ETL / integrações batch. Garante desacoplamento e escalabilidade.

Camada de Dados — Data Lake / repositório analítico, base para BI e IA, consolidação de dados corporativos.

Camada de Infraestrutura — cloud (AWS / Azure), redes e conectividade, segurança da informação, backup e recuperação, monitoramento.

7.7 Princípios Arquiteturais

  • ✔ Centralização do núcleo operacional no ERP
  • ✔ Especialização de sistemas por domínio
  • ✔ Desacoplamento via integração padronizada
  • ✔ Separação entre operação e análise
  • ✔ Governança e padronização de dados
  • ✔ Evolução controlada e incremental

7.8 Benefícios Esperados

  • maior integração entre áreas de negócio
  • melhoria na qualidade e consistência dos dados
  • redução de redundâncias
  • maior capacidade analítica
  • suporte à tomada de decisão
  • base estruturada para transformação digital

7.9 Considerações Finais

O mapa de ecossistema não representa o estado atual da organização, mas sim uma visão estruturada da arquitetura desejada, que deve orientar a evolução dos sistemas da construtora.


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