19/04 Reunião de Planejamento: Implantação ERP Sienge, Estratégia de IA como Camada Horizontal e Mapeamento de Processos da Costal
Data: 2026-04-17 Participantes: Igor Reginato (Speaker 1), Rafael Rossetto (Speaker 2), Marcos Eduardo (Speaker 3) Local: Remoto (Zoom) Empresa: costal colliers
Key Points
- Igor Reginato se apresenta como engenheiro com background em mecatrônica, produção e civil. Enxerga a construção civil como o setor “mais rudimentar” mas também o de maior oportunidade de transformação por IA e automação, dado seu overhead médio de mercado entre 10% e 12% sobre um mercado estimado em trilhões de reais.
- Igor destaca que o principal problema da construção não é fraude (que representa no máximo 7% das perdas), mas sim ineficiência sistêmica. “Tira a fraude: ainda é a ineficiência que mata.”
- Marcos Eduardo tem 52 anos de carreira e inicia a reunião reforçando o mantra: processo primeiro, ferramenta depois. Observa que com a explosão de agentes de IA, as equipes tendem a querer implementar a ferramenta sem definir o processo subjacente — o que potencializa erros em vez de resolvê-los.
- Igor cita o princípio aprendido na indústria japonesa: “Robô não dá martelada” — automatizar um processo ruim apenas amplifica o problema. Marcos complementa: “Shit in, shit out na velocidade da luz.”
- A Costal é uma empresa greenfield (100% nova, sem legado), o que Igor trata como vantagem estratégica: permite importar as melhores práticas do mercado e do blueprint do ERP sem precisar adaptar um sistema existente.
- Igor brigou por mais de um ano dentro da Colliers para aprovar a implantação de um ERP. A Colliers usava apenas o Microsoft Dynamics para emissão de nota fiscal (relacionado ao Canadá) — insuficiente para uma operação de construtora. Escolheu o Sienge como SaaS especializado em construção civil pelo melhor custo-benefício do mercado vs. o SAP (altamente customizável mas com custo e prazo “absurdamente altos”).
- A principal dor histórica com o Sienge era a impossibilidade de apontar o Power BI diretamente ao banco de dados (que “era deles, mesmo o dado sendo meu”). Resolvida nas versões recentes.
- O contrato Sienge foi assinado após 5 meses de negociação. Um kickoff já foi realizado, mas a implantação está parada aguardando definição do apoio da Anouk/Marcos.
- Igor propõe uma arquitetura de sistemas em 3 pilares: (1) Sienge como ERP core, (2) Microsoft 365 (Power Automate, Lists, SharePoint, Teams) para fluxos e ECM, (3) IA. Marcos reposiciona: a IA não é um terceiro pilar separado, mas uma camada horizontal que atua dentro dos ambientes já definidos — “robôs que entram e trabalham dentro do ambiente que você definiu.”
- CRM atual: RD Station a R$ 5.000/mês para toda a Colliers, sem métricas de taxa de conversão ou custo de aquisição satisfatórias. Igor iniciou uso do Microsoft Lists para gestão do funil com mais granularidade e flexibilidade. Avalia substituição por ferramenta com integração nativa ao Outlook. O Sienge tem módulo de CRM próprio, mas a consultoria indicou que não é usado (utilizam RD Station).
- O processo de orçamentação é identificado como a maior dor estratégica da empresa pelo próprio Igor. A diretora de orçamentos de empresa benchmark dizia que seu departamento tinha “o trabalho mais difícil da empresa” — e ninguém discordava, pois a margem entre sucesso e fracasso é mínima: orçar alto perde o contrato, orçar baixo gera prejuízo inevitável.
- O maior gasto de tempo na orçamentação não é o custo unitário, mas o levantamento e mapeamento de requisitos: análise de projetos e memorials descritivos (exige 5 engenheiros + 3 técnicos de segurança), estimativa de duração para dimensionar indiretos, equalização de propostas de fornecedores (ex: 3 cotações para itens especiais como ar-condicionado). Esse conjunto consome 99% do tempo do orçamentista.
- Validação paramétrica é crítica: cruzar o orçamento com dados históricos para detectar itens esquecidos no memorial e verificar se os custos unitários batem com as propostas dos fornecedores. Igor já identificou erros reais nesse cruzamento.
- Boa prática de mercado para orçamentação: orçar no Excel durante o processo comercial e carregar apenas o resultado final (linha de base fechada) no Sienge para controle de budget. Evita o retrabalho de conversão para o formato de cada cliente — que é a grande dor dos orçamentistas (o sistema exige um padrão, mas cada cliente quer apresentação diferente).
- Fluxo de aprovação de orçamento atual: ineficiente — passa pelo Projuris (sistema jurídico) apenas para gerar número de controle, depois é carregado no Microsoft Lists com prints de planilha. Igor quer formalizar via Power Automate: gerente de construção → gerente de orçamentos → Igor (acima de threshold definido).
- Gestão de mudanças (change orders): Igor cita obra do Nubank de R$ 30 milhões na Leopoldina com mais de 200 change orders. Clientes aceitam alterações de escopo, mas não percebem os custos indiretos. Exemplo: pedido de 50 m² extra de carpete gera nova importação, frete, equipe em campo por mais uma semana — custo unitário pode triplicar. “As empresas normalmente se perdem aqui na construção civil.”
- Controle de recebimento de materiais: Igor propõe cruzar especificação técnica da nota fiscal com o contratado. Exemplo real: fornecedor entrega eletroduto leve (mais barato) em vez do galvanizado pesado especificado. Cruzamento automático “já dificulta a vida do espertão.”
- SST como risco financeiro oculto: empresas são penalizadas por não entregar documentação de EPI. Funcionário que se machuca e alega não ter recebido equipamento pode processar a empresa.
- Lições aprendidas: Igor tem 20 anos de gestão de projetos e nunca viu nenhuma empresa resolver isso de forma consistente. A GM registrava lições mas não conseguia resgatá-las — “era pior do que não ter registrado.” Aposta que agentes de IA, por serem “disciplinados” por natureza, conseguirão ler o histórico e trazer alertas de risco automaticamente. “Talvez a IA vai conseguir porque o ser humano definitivamente não conseguiu.”
- Estrutura da empresa em 3 camadas: (1) mapeamento completo de processos do comercial ao encerramento de obra; (2) organograma com diretriz “tudo que puder automatizar, automatiza; tudo que puder terceirizar, terceiriza; o que não puder, fica dentro de casa”; (3) governança corporativa documental que sustenta tudo.
- No organograma, Igor identificou correlações entre agentes diferentes (ex: agente de prospecção também serve ao orçamentista) e mapeou o que seriam agentes de IA, pessoal interno e terceirizados por função.
- Próximo passo acordado: Marcos vai estudar o material de processos da Costal e mapear o que dentro do “organograma aranha” está coberto pelo Sienge vs. o que não está — antes de conversar com Blaschke sobre arquitetura.
Decisions Made
- A IA é uma camada horizontal, não um terceiro pilar de sistema. Os agentes de IA atuarão dentro dos ambientes Sienge e Microsoft 365, não em uma plataforma separada.
- O ERP Sienge é a prioridade absoluta e a coluna vertebral da operação. Tudo que o Sienge não cobrir será construído ao redor dele — nenhum processo paralelo será desenvolvido antes de definir o que o Sienge faz.
- Adotar a boa prática de mercado para orçamentação: orçar no Excel e carregar apenas a linha de base final no Sienge para controle de budget.
- A Costal nasce greenfield — sem legado, sem customizações desnecessárias. Importar o blueprint do ERP como padrão e adaptar o mínimo necessário.
- A estrutura da empresa segue 3 camadas: processos → organograma (automatizar/terceirizar/internalizar) → governança.
- Processo antes de ferramenta. Nenhuma automação ou agente de IA será implementado sobre um processo mal definido.
Action Items
Tasks
| Task | Responsible Party | Deadline | Notes |
|---|---|---|---|
| Enviar material de processos e organograma mapeado para Rafael e Marcos | Igor Reginato | — | Inclui o mapa de processos do comercial ao encerramento, o organograma com divisão automação/terceiros/interno e a lista de agentes identificados |
| Compartilhar contato (e-mail e WhatsApp) com Marcos Eduardo | Igor Reginato | — | WhatsApp de Marcos: 11 97542 4249 |
| Estudar o material de processos da Costal e mapear o que está coberto pelo Sienge vs. o que não está | Marcos Eduardo | — | Fazer antes de conversar com Blaschke; focar na “aranha” de processos enviada por Igor |
| Agendar próxima reunião com Pedro Villa e Blaschke para devolutiva de arquitetura | Rafael Rossetto / Equipa | — | Rafael confirma disponibilidade na agenda após essa call |
| Formalizar fluxo de aprovação de orçamentos via Power Automate | Igor Reginato | — | Fluxo: gerente de construção → gerente de orçamentos → Igor (acima de threshold). Ferramenta já existe, precisa de customização |
| Avaliar substituição do RD Station por ferramenta CRM com integração nativa ao Outlook | Igor Reginato | — | RD Station a R$ 5.000/mês não entrega métricas de conversão satisfatórias; Microsoft Lists está sendo usado como substituto provisório |
Deadlines
- Nenhum prazo explícito definido na reunião. Todos os itens são “o quanto antes” dado que a implantação do Sienge está pausada aguardando alinhamento.
Follow-Up Actions
- Marcos deve consumir o blueprint do Sienge antes de propor customizações — entender o padrão antes de adaptá-lo.
- Rafael deve intermediar o agendamento da próxima reunião com Pedro Villa e Blaschke.
- Definir junto ao time Anouk qual o nível de apoio que será prestado à implantação do Sienge (project manager dedicado vs. apoio pontual).
- Validar com Blaschke a arquitetura proposta: Sienge + Microsoft 365 com IA como camada horizontal.
- Identificar os pontos de dor e risco mais críticos no processo de orçamentação para priorizar os primeiros agentes de IA (conforme metodologia “pontos de dor” de Marcos).
Documentos de Referência
Material enviado por Igor Reginato e extraído em 17/04/2026 — base para o trabalho conjunto discutido nesta reunião.
- Mind Map Geral R01 — Visão Consolidada
- Mapa de Processos R01 — 9 Macroáreas
- Organograma + Nomes R01
- Governança Corporativa R01 — DIR-01 a DIR-15
- Cronograma de Implantação Sienge (Gescon)
Documento elaborado por: Rafael Rossetto